O entendimento dos distúrbios respiratórios durante o sono explica os efeitos danosos desses transtornos sobre as doenças dolorosas. Através da melhoria da ventilação pulmonar durante o sono, para a qual é possível alcançarem-se altos índices de resolução, promove-se um aprimoramento na cura das dores crônicas. Na abordagem de pacientes com manifestações dolorosas, não se deve focar apenas no alívio da dor, mas, principalmente, no restabelecimento de um sono tranquilo e restaurador. Pois a fisiologia do sono apresenta condições de regulação celular necessária ao bom funcionamento do corpo, principalmente equilíbrio do perfil dos sistemas endócrino e imunológico. Um sono bem elaborado é vital por apresentar função reorganizadora e reparadora. Portanto, a privação crônica do sono, por distúrbios respiratórios, é incompatível com a vida. O repouso noturno é uma condição natural do projeto da criação dos seres vivos, inclusive do ser humano. Além do uso de medicamentos, das atividades físicas regulares, a respiração regular e profunda durante o sono proporciona um relaxamento muscular global que permite a reparação de danos do organismo convalescido. Para concluir, dormir bem sempre previne doenças e restabelece aporte energético para o alívio da dor, da fadiga, dos distúrbios de humor e do raciocínio.
Diversas patologias dolorosas apresentam piora dos sintomas na presença de noites mal dormidas, como é o caso das doenças hematológicas, fibromialgia, espasmos musculares, síndrome miofasciais, osteoartrose, fadiga crônica, lombalgia, doenças cardíacas, neurológicas e psiquiátricas, cefaleia, queixas gastrointestinais, dor tumoral, processos dentários e, ainda, dos distúrbios afetivos. Por outro lado, a mudança do padrão de sono também pode ser decorrente de disfunções álgicas do organismo, tanto em crianças, como em adultos e idosos. Pacientes com dor crônica apresentam redução da eficiência do sono, dificuldade para dormir e despertar. Além disso, podem manifestar perfil depressivo. Estudos clínicos e experimentais, tanto em humanos como em animais, confirmam a associação entre o sono não reparador e manifestações dolorosas. Para agravar o quadro, no sono fragmentado pelo esforço excessivo para respirar, observa-se um aumento no número de despertares. Este fenômeno eletrofisiológico interrompe continuamente o descanso reparador fazendo o indivíduo levantar com dificuldade e fatigado. Felizmente, existem evidências científicas de que o sono profundo pode representar um mecanismo compensatório para os processos dolorosos crônicos, de modo que pacientes com maior quantidade de sono profundo experimentem os sintomas dolorosos com menor intensidade.

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